Excesso de chuvas atrasa colheita da soja e compromete plantio do milho em Mato Grosso

Cuiabá (MT), 27 de fevereiro de 2026 – O maior produtor de grãos do Brasil enfrenta uma safra marcada por desafios climáticos. Em Mato Grosso, o excesso de chuvas durante janeiro e fevereiro atrasou a colheita da soja e reduziu a janela ideal para o plantio da segunda safra de milho, conhecida como “safrinha”.

De acordo com dados do Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (IMEA), até meados de fevereiro cerca de 65,75% da área de soja já havia sido colhida. O ritmo, no entanto, ficou abaixo do registrado no mesmo período da safra anterior. As chuvas intensas dificultaram a entrada de máquinas nas lavouras e aumentaram o risco de pragas e doenças.

O milho também sofre os impactos. Com a colheita da soja atrasada, o calendário da safrinha foi comprometido. Até fevereiro, 66,33% da área prevista havia sido semeada, mas o avanço foi menor que o esperado. Especialistas alertam que o atraso expõe as lavouras a riscos climáticos, como estiagem no final do ciclo.

📌 Impactos esperados

  • Produtividade menor: atrasos e excesso de umidade podem reduzir o potencial produtivo da soja e comprometer o milho.
  • Pressão nos preços: menor oferta pode elevar o valor dos grãos no mercado interno e internacional.
  • Exportações em risco: como Mato Grosso é responsável por grande parte das vendas externas, atrasos podem afetar contratos com China e Europa.
  • Cadeia de proteína animal: o milho é essencial para ração; qualquer quebra de safra impacta diretamente suinocultura e avicultura.
  • Logística pressionada: colheita e transporte simultâneos de soja e milho podem gerar gargalos em estradas e portos.
  • Seguros agrícolas: maior número de acionamentos pode elevar custos e reduzir margens de produtores.

Apesar das dificuldades, Mato Grosso segue como protagonista do agronegócio nacional. A soja mantém forte demanda internacional, especialmente da China, enquanto o milho é estratégico para exportações e abastecimento interno.

“O produtor mato-grossense enfrenta uma safra desafiadora, mas a resiliência do setor deve garantir bons resultados, ainda que abaixo do potencial máximo”, destacou o IMEA em nota.

Com a influência do fenômeno La Niña, que trouxe irregularidade nas chuvas, a safra 2025/26 reforça a necessidade de planejamento e adaptação no campo.

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