Conflito entre EUA e Irã ameaça o agronegócio mundial
Exportações brasileiras de milho, carne e açúcar em risco com a escalada militar no Oriente Médio
O mundo voltou a viver sob a sombra de uma guerra no Oriente Médio. No último dia 28 de fevereiro, ataques coordenados dos Estados Unidos e Israel contra alvos estratégicos no Irã culminaram na morte do líder supremo iraniano, Ali Khamenei, e na interrupção parcial do tráfego marítimo no Estreito de Ormuz.
O impacto foi imediato: o preço do petróleo disparou 13% em apenas um dia, e o dólar ganhou força frente às principais moedas. Para o Brasil, que depende do diesel para movimentar máquinas agrícolas e transportar grãos, carnes e açúcar até os portos, o choque energético se traduz em custos mais altos e margens mais apertadas.
O Agro na Linha de Fogo
O Irã é um parceiro estratégico para o agronegócio brasileiro. Em 2025, o país importou 11,5 milhões de toneladas de milho, soja, farelo e açúcar, movimentando US$ 2,9 bilhões. Só de milho foram 9 milhões de toneladas, o que representou 23% de todas as exportações brasileiras do cereal.
Além disso, o Oriente Médio absorveu 210 mil toneladas de carne bovina brasileira em 2025, cerca de 7% dos embarques totais. A carne de frango também tem peso relevante, com o Irã e países vizinhos figurando entre os principais compradores.
Agora, com o conflito, analistas já projetam uma redução drástica nas exportações de milho e carnes para o Irã. “O Brasil terá de buscar novos mercados, mas dificilmente encontrará compradores com a mesma intensidade de demanda”, avalia Roberto Rafael, consultor da Datagro.
Energia e Fertilizantes
O aumento do petróleo não afeta apenas o diesel. Ele também encarece a produção de fertilizantes, já que o gás natural é insumo essencial. Embora o Irã não seja um grande fornecedor de ureia, qualquer instabilidade na região repercute no mercado global.
Segundo a FGV Energia, o conflito pode gerar volatilidade prolongada nos preços de petróleo e gás, com reflexos diretos na inflação e nos custos agrícolas.
Curto e Longo Prazo
| Aspecto | Curto Prazo (2026–2027) | Longo Prazo (2028 em diante) |
|---|---|---|
| Exportações | Queda nas vendas de milho e carnes para o Irã | Redirecionamento para Ásia e África |
| Energia | Diesel e frete mais caros | Custos estruturais elevados |
| Fertilizantes | Alta de preços e risco de escassez | Necessidade de diversificação de fornecedores |
| Oportunidades | Poucas, exceto biocombustíveis | Expansão do etanol e biodiesel |
Vozes do Setor
“Estamos diante de um cenário que lembra o choque do petróleo dos anos 1970. O agro brasileiro terá de se reinventar para manter competitividade”, afirma a economista Vitória Tedeschi.
Já o produtor de milho de Goiás, João Batista, teme pelo futuro: “O Irã era nosso maior cliente. Se perdermos esse mercado, vai ser difícil segurar os preços internos.”
Conclusão
O conflito entre EUA e Irã não é apenas uma disputa geopolítica: é uma crise que ameaça a segurança alimentar global e coloca o agronegócio brasileiro em posição delicada. Se a guerra se prolongar, o Brasil terá de diversificar mercados, investir em biocombustíveis e buscar alternativas para insumos agrícolas – sob pena de ver sua competitividade corroída.

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